20100716

O que eu vi

- não sei... achas?

+ acho

- mas quer dizer... ele não lhe fala?

+ não...

- tem medo?

+ talvez. talvez de querer interromper a conversa a meio. ou pura preguiça, nunca saberemos.

- mas não era ele que queria conversar?

+ queriam os dois. ela queria mais mas dizia menos, ele dizia mais mas só queria às segundas quartas e sextas.

- por favor. oh, por favor. não acredito...

+ ridículo não é?

- não é isso.

+ então?

- não acredito que vais alegar "problemas de comunicação".

+ (com leve indignação) porque não?

- porque isso é sempre uma desculpa. para pessoas preguiçosas em permanente estado de negação. é um clichê tão grande.

+ o quê, tu vais alegar "estado de negação"?

- talvez. que sorrisinho é esse?

+ estado de negação... essa é boa. nenhum de nós tem moral para falar de clichês.

(riem-se os dois e sobem as escadas)

20100615

Eu sou um cão, e tu és uma baleia. Somos os heróis de um filme de sábado à tarde.

20100608

Absurdism is a philosophy stating that the efforts of humanity to find inherent meaning in the universe will ultimately fail (and hence are absurd), because no such meaning exists, at least in relation to the individual.



Por muito que se acredite na natureza absurda do mundo, a forma como a Wikipedia a resume a uma frase é um bocado cruel.

20100329

20100328

Fucking is sharing

PERSON 1
You can't fuck your way into love
because fucking is sharing. Love
isn't about sharing, it's about
giving.


PERSON 2
So you give your way into love?

PERSON 1
Yes.

PERSON 2
Like, with gifts?

PERSON 1
Possibly.

PERSON 2
Isn't that ...bribing?...

PERSON 1
No! That's...

PERSON 2
Like, you bribe your way into love?

PERSON 1
No, you just...

PERSON 2
Oh please.

PERSON 1
You got me wrong, you just give,
give, give, because when you love
you feel like giving!

PERSON 2
So when you love, you give?

PERSON 1
Hmm, yes.

PERSON 2
Sorry...

PERSON 1
What?

PERSON 2
Sorry, but to me that sounds like
shopping.

PERSON 1
...ah, fuck this.

PERSON 2
And buying your way into love
doesn't make sense to me.

(pause)

Might as well steal it.

20100223

this isn't xkcd.
summer

20100210

20100207




Não,
o outro és tu.




20100203

The death of Socrates

Agathon: But it was you who proved that death doesn't exist.

Allen: Hey, listen - I've proved a lot of things. That's how I pay my rent. Theories and little observations. A puckish remark now and then. Occasional maxims. It beats picking olives, but let's not get carried away.

Agathon: But you have proved many times that the soul is immortal.

Allen: And it is! On paper. See, that's the thing about philosophy - it's not all that functional once you get out of class.

20100124


Faz-te
à estrada,
antes
que
ela
se faça
a
ti


Faz-te à
estrada
antes
que
ela
se
fa
ça
a
t
i
.


Faz-te à estrada,
antes que
ela se
faça
a
t
i
.


F
az
-te
à es
trada
antes
que ela
se faça
a ti.


F
a
z-
teà
estr
adaan
tesqueel
asefaçaati.


F
a
z
-
te
à e
stra
daan
tesqu
eelase
façaati
.



20100122


23 AM

vou ter fome hoje.

Estou na primeira fila, na convenção da noite eleitoral do Partido Republicano (2008 - McCain vs Obama), com um grupo de pessoas que vai mudando consoante as exigências do sonho.

Exemplo: quando quero cigarros, aparece a Susana António para mos recusar. (Os meus sonhos raramente me obedecem.)

Vislumbro Francisco Louçã numa bancada. Está a jogar Monopólio de viagem (o magnético).

Pergunto a alguém o que estamos a fazer na convenção do GOP. Enquanto reflicto sobre se a diversão de ver uma data de velhos de extrema direita a perder justifica estar ali, os Black Eyed Peas dançam os primeiros acordes do seu hit "I Got a Feeling". A minha questão filosófica desaparece.

Subitamente, Fergie começa a dar pancadas num instrumento de percussão e toma consciência de que o seu monitor não funciona. Música para. Fergie grita com um engenheiro de som. Engenheiro foge.

Fergie pega nas mesas de som e liga-as à sua maneira. Ruído de fundo angustiante segue-se. Tipo feedback, mas mais grave.

Fergie grita com os seus colegas, que entretanto foram buscar imperiais e dar autógrafos. Música começa, e disfarça parcialmente o ruído de fundo.

Como não teve tempo de chegar ao palco, o elemento que parece índio faz a sua actuação ao meu lado. Insiste que eu o acompanhe a fazer ritmo com o chão. Eu recuso educadamente, mas tento uma vez para não ser rude.

Toda a bancada se ri de mim.

Descubro que o ruído de fundo fazia parte da música.

Actuação pára. Senador sobe ao palco. Começa a fazer uma exaltação da actuação de Bush nos últimos 8 anos. Aproveito um silêncio súbito para lhe pedir para ir à fava.
Por um lamentável erro de tradução, a sala interpreta o meu impropério como um elogio à sua política agrícola, e aplaude efusivamente.

Os aplausos abafam o meu brilhante argumento contra a política Don't Ask, Don't Tell.

Começo a pensar que tenho fome, e me apetece ir ao Burger King. Infelizmente acordo antes de comer, o que me vai dar uma fome insaciável o resto do dia.

I just know it.